sexta-feira, 3 de abril de 2009

Jovem gay é agredido por skinheads em Curitiba


Na segunda-feira passada (23/03), um estudante gay do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi agredido por volta das 18hs, na região do Alto da XV, por um grupo de supostos skinheads. Segundo o seu relato à Polícia Militar, o grupo era formado por mais ou menos dez homens, com cabelos raspados, usando suspensórios e coturnos. Tal descrição leva a crer que era um grupo de neo- nazistas.

O caso ocorreu na mesma semana em que o site A Capa noticiou caso de agressões em que homossexuais são vítimas de ataques com spray de pimenta, no centro de Curitiba. O garoto foi agredido com socos, pontapés e pedradas. O estudante terá que passar por uma cirurgia facial. Ele prestou queixa na polícia e fez exame de corpo e delito no Instituto Médico Legal (IML), por conta do espancamento. Os colegas de universidade do jovem organizam um protestos contra a homofobia para essa semana.

Segundo o Grupo Dignidade, os ataques homofóbicos promovidos por skinheads a travestis e homossexuais tem crescido nos últimos meses. De acordo o coordenador do Centro de Referência de Prevenção e Combate à Homofobia, Marcio Martins, "estes casos são apenas a ponta do iceberg, porque por causa do medo, a imensa maioria dos agredidos não registra a violência nem nos grupos de apoio e muito menos na polícia".

Câmara de Manaus derruba projeto anti-homofobia


Foi vetado ontem pela Câmara Municipal de Manaus o projeto de lei de autoria do vereador Hissa Abrahão (PPS), que proprunha a punição com multas a discriminação contra homossexuais. O autor da lei lamenta a derrocada do projeto. Para ele, a proposta foi mal entendida. "O objetivo do projeto era apenas punir alguém que discriminasse outra pessoa por orientação sexual", disse Hissa, que se inspirou em leis já existentes na Bahia e em São Paulo.

O apóstolo Marcel Alexandre (PMDB), um dos articuladores para que o projeto fosse derrubado, afirmou que o "direito democrático tem que ser rerservado". "É integridade do cidadão, você não pode tratar a opção de uma pessoa como se fosse questão de raça", declarou. O vereador alegou ainda que se tal lei fosse aprovada iria trazer "constrangimento para a Casa".

A presidente da Associação Amazonense de Gays, Lésbicas e Travestis (AAGLT), Bruna La Close, disse que "a Câmara está aplaudindo o preconceito, a discriminação e a homofobia". Ela declarou ser uma pena que a Casa ignore projetos que visam a conscientização da população. "Por ser um espaço público, deveria estar conscientizando as pessoas e não vetando projetos de suma importância", analisou a ativista.

sábado, 21 de março de 2009

Faculdade expulsa de moradia aluno acusado de espancar estudante gay


Um aluno de engenharia acusado de ter agredido o estudante de Artes Visuais, Fernando Ferreira, de 22 anos, dentro da Moradia II (alojamento dos alunos) por conta de sua orientação sexual, será expulso do conjunto dos alunos, segundo informa a assessoria de imprensa da Universidade Federal de Minas Gerais.

Segundo a assessora, as medidas podem não parar por aí. "Na segunda-feira haverá uma reunião com o conselho da Universidade para discutir uma provável expulsão do aluno", comunicou a universidade. Por meio da assessoria, a vice-reitora Heloisa Starling, disse não admitir esse tipo situação no campus da faculdade.

Na reunião de segunda-feira também será aberta uma sindicância para apurar um provável descaso por parte da segurança do alojamento. Segundo a denúncia de Fernando Ferreira, os seguranças permaneceram omissos por um bom tempo e poderiam ter evitado parte da agressão.

O caso

Na madrugada de sexta para sábado (14/03) o estudante Fernando e sua amiga Adriana chegavam da rua. Quando ambos estavam próximos a entrada do Moradia II, Fernando foi surpreendido pelas costas pelo aluno V. S. e agredido com um chute.

Ao conversar com a reportagem do A Capa o estudante de Artes Visuais contou que na primeira agressão correu para dentro da Moradia II. "Pensei que lá dentro estaria mais seguro por conta dos seguranças, mas eles não fizeram nada", relata. A sua amiga tentou defendê-lo, porém também foi agredida pelo garoto e pela namorada dele com chutes nas costas. "Se os seguranças tivessem intervido antes, ela não teria apanhado", cobra o estudante.

Fernando revela que durante a briga o agressor o chamava de "bichinha" e "viadinho". Segundo o rapaz, após a segurança do alojamento apartar a briga o agressor disse à sua namorada que já tinha conseguido o que queria. V. ainda proferiu ameaças e gritos de ódio como "nojo aos homossexuais". A vítima disse à reportagem que V. já demonstrava sinais de intolerância ao apelidar o quarto de Fernando de "gaiola das loucas" e declara que lá dentro "só há viados".

O aluno ficou com alguns hematomas na perna e teve o seu lábio estourado. "Agora já estou melhor", conta. Na madrugada da agressão ele fez Boletim de Ocorrência e Exame de Corpo de Delito que será encaminhado em carta à Reitoria da Faculdade. Sobre as ameaças o aluno disse temer pela sua segurança, pois conta que o agressor é uma pessoa "muito violenta". Também relata que entre alunos de engenharia é comum brincadeiras preconceituosas. "Para você ter uma ideia eles promovem o 'trote gay', vão até o campus de humanas e ficam humilhando as pessoas".

Questionado se pretendem fazer um beijaço, a exemplo da USP, Fernando disse que existe a possibilidade, mas, que também pensa em chamar algumas amigas travestis, ir a uma festa do pessoal de engenharia e "ficar por lá e ver o que acontece". Fernando foi assessorado pelo Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (GUDDS) que encaminhou carta à diretoria do alojamento para expulsar o aluno agressor do Moradia II. O grupo também pediu a expulsão do aluno da instituição. Daniel Arruda, membro da entidade, disse que por enquanto o grupo deve esperar os resultados da ações constitucionais, para depois pensar em algum tipo de manifestação.